“Estou aqui na minha sala, o sol entrando pela janela. Bernardo dorme tranquilo, Lulu dança ao som da propaganda que está passando na TV, Samuel falando sem parar sobre futebol, escrevendo prováveis confrontos e escolhendo os resultados. O interessante é que ele comemora!!! rs!

Tudo tranquilo.

Tenho mania de foto, sabe? Mesmo no dias de hoje em que tudo é digital, gasto dinheiro imprimindo e colocando em porta-retratos, álbuns e às vezes fico horas folheando, revivendo o passado. O nascimento do Samuel, ele crescendo, a chegada do Bernardo, momentos em família, o parto da Lulu, até os dias de hoje. Tiro fotos de tudo!! E sempre que vejo as fotos me lembro da música “Fotografia”cantada pelo Leoni que diz:

“Quando as sombras vão ficando compridas
Enchendo a casa de silêncio e preguiça
Nessas horas é que Deus deixa pistas
Pra eu ser feliz
E quando o dia não passar de um retrato
Colorindo de saudade o meu quarto
Só aí vou ter certeza de fato
Que eu fui feliz
O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia”
Em momentos assim eu tento ver além das fotos, ver esses tais laços invisíveis. Que mania a gente tem de perceber a felicidade só quando o momento passa, né? E olhando as fotos percebo o meu sorriso sincero, as gargalhadas das crianças, o amor do Mauricio por todos nós…
Logo me vem a pergunta: E quando nada disso estiver por aqui?
Quando nos tornamos mães, vivemos uma vida paralela à nossa. Vivemos para os filhos. Por mais que trabalhemos fora, que vejamos nossas crias só à noite, que eles fiquem na escola boa parte do dia… mesmo assim, nossa mente está sempre voltada para eles, tudo o que fazemos é para o bem deles, compramos o que lhes é necessário antes mesmo das nossas necessidades. Depois que nos tornamos mães perdemos até o primeiro nome, perceberam? Em todo lugar que vamos, nos chamam de “ô mãe”! rs! Na escolinha dos meninos eu não sou a Sheila, sou a mãe do Samuel e do Bernardo. Em qualquer consulta médica sou a “mãe”, nunca eu mesma!!
E quando eles crescerem? Automaticamente voltarei a ser “eu”? Pertencerei a minha antiga vida? É lógico que filho é para sempre, mas à medida que crescem passam a precisar menos de nós. Todo o tempo dedicado não será mais necessário. Seremos mães órfãs de filhos? Sairemos pelos supermercados  e pracinhas pedindo às mães em carreira ainda atuante uma esmolinha em forma de fralda suja? De papinha para fazer? De noite em claro preocupada. E as mães passando direito dizendo “hoje não”. rsrs! Ô sofrimento! Acho que boa parte das avós são assim, por isso acabam se envolvendo tanto com a criação dos netos. Muito amor acumulado depois que os filhos cresceram, muito mimo e comidinhas gostosas guardadas esperando o momento certo. Vai tudo para os netos! Sortudos!
Disso tudo, fica apenas uma certeza: aproveite cada momento, por que ele é único!
É difícil? É.
Complicado? É. Ninguém diz o quanto, assim, na cara, sabe? Ninguém…
Ás vezes dá vontade de pedir o mundo para parar que queremos descer. Exaustão define. Mesmo assim, aproveite!
Porque esse sorriso sincero, esse “eu te amo” dito do nada, essa gargalhada gostosa por causa das bobagens que fazemos só para vê-los sorrindo, isso tudo vai passar! E sentiremos saudades. Não entendo por que à medida que crescemos temos tanta dificuldade de demonstrar amor pelos nossos pais, como fazíamos quando crianças. Não entendo mesmo!! Por isso, se seus pais estão por perto, nunca esqueça de dizer o quanto são importantes, viu? Provavelmente, no tempo livre deles, ficam por aí mendigando atenção dos netos dos amigos ou revivendo a infância dos filhos nos netos. Sempre penso nisso. Neste vazio que ficará no meu tempo que passará a ser “livre”. Imagine só, em um mundo distante eu ter tempo livre! rs!
Por enquanto, fico aqui aproveitando as brigas de irmãos, as noites em claro, as refeições que imploro para que engulam, os finais de semana que não são mais para mim mesma, para as amigas ou namorado (que hoje é maridão), são para eles. Afinal, quando esses dias bagunçados passarem fará uma falta…
Meu irmão que sempre quando vem aqui diz do barulho da casa. O tempo todo ouvimos criança brincando, chorando, gritando, música infantil ao fundo, gargalhadas… E na casa dele é tão silencioso! Ele gosta mais daqui. rs!
Quando eles crescerem, terei as fotografias. E finalmente, perceberei o quanto fui feliz!!!”