“Quando digo que estou cansada, não espero que você responda que eu deveria contratar uma babá, despachar o bebê para o Himalaia e parar de reclamar. Você também se cansa após uma semana intensa no trabalho, que demandou mais dedicação do que o usual. Alguém te aconselha a desistir por isso?

Eu gosto de estar com meu filho. Estou feliz assim. Às vezes fico cansada, só isso. Não é nenhum sacrilégio assumir isso. Até trabalhar como caseiro de uma ilha paradisíaca na Austrália cansa. Isso não quer dizer que o caseiro é um azedo que reclama de tanto mar azul e brisa de fim de tarde.

O que exatamente você espera dos outros ao comentar sobre o seu cansaço? Eu procuro empatia. Talvez uma palavra de incentivo, de reconhecimento. Quem sabe um chamego, dependendo de quem vem. Algo simples, como “putz, é f*** mesmo, senta aqui que vou trazer um café para você”. Só isso. Sem sugestões que soam como crítica. Nada de “mas também, não quis dar chupeta”, “mas também, vocês são muito grudados”. Ser mãe em tempo integral não deixa de ser um trampo como qualquer outro. Só que não tem promoção, aumento, férias, nem valorização social. E cansa igual. Nem por isso vou contratar um estagiário para fazer a parte chata no meu lugar.

Nós vamos escalar esse Himalaia juntos, eu e o meu filho. Alguns dias exigirão mais sacrifícios, outros serão de calmaria e contemplação. Se no meio do caminho eu reclamar, me perdoe, só quero energia para seguir em frente.”

Autor Desconhecido
Foto: Lizzyography
Texto original: Depois de Mãe