E de repente você tem o trabalho mais difícil do mundo. Você carregou por uma porção de tempo dentro de sua barriga, pariu e começa a aventura.

Ninguém te ensinou a fazer seu trabalho. Não teve estágio e nem faculdade que te dissesse como isso ia ser.

Você ri atravessado da amiga que te manda dormir enquanto pode. Você ignora piamente o conselho da recém  mãe que diz que amamentar não é fácil. E de repente é você lá: dias sem dormir. Chorando junto com o bebê sem saber o que fazer. Pinga leite, pinga sangue, pingam lágrimas.

E quando você está exausta, descobre que não tem intervalo, horário de almoço, lanche ou pausa técnica. Este novo emprego consome todo seu tempo, todos os dias. Não bastassem as dificuldades, não há como pedir demissão.

Algumas vezes seu colega de equipe não entende bem o seu proprio papel. E é você lá, tendo que lidar com tudo isso e com o parceiro que tomou um choque e se descobriu pai sem nem sentir o bebê crescendo na barriga.

Ai quando você pensa que não pode piorar, chove! Uma chuva sem fim de palpites: Pega o bebê assim, se dormir com você vai ficar manhoso, esse bebê não pode mamar tanto, seu leite é fraco. E quem devia te apoiar, acha que só tem um jeito de fazer as coisas certas e certamente não é o seu!

Você respira fundo, e as lagrimas brotam. É muita novidade para uma pessoa só.

No meio do choro, o bebê chora também. O corpo é seu, mas é dele também né? Amamenta. cochila. Amamenta de novo. Sono picado. Seu humor picado também.
Você não se sente linda. Não mesmo. Seus seios doem, seu corpo dói. Sua alma dói.
Esse tipo de trabalho só pode ser feito por um tipo de ser humano e não é aquele que você costumava ser.

Ai vem mais choro e aceitação de que não dá pra viver tudo isso e continuar a ser exatamente como era. É preciso ser alguém melhor. Maior. Mais.

E ai sim, a gente vira mãe.

fonte: http://www.uaimae.com.br/2016/11/o-trabalho-mais-dificil-do-mundo.html#more