Oi mamães, uma leitora pediu para escrevermos sobre criptorquidia, então resolvi pesquisar sobre o assunto para dividir as informações aqui com vocês.

O que é?

A criptorquidia é um problema comum entre os bebês podendo causar infertilidade no homem e acontece quando os testículos não descem para o escroto, a bolsa que envolve os testículos. Normalmente, os testículos descem para o escroto nos últimos meses de gestação e, se tal não acontece, o bebê nasce sem os testículos no lugar normal.

Vamos explicar melhor… Quando avaliamos os genitais dos meninos, facilmente vemos o pênis, a bolsa escrotal e os testículos. Porém, em alguns casos percebemos uma assimetria na bolsa escrotal (“saquinho”). Essa diferença pode acontecer por aumento unilateral de um dos testículos ou pela ausência de um deles. Nas duas situações, um sinal de alerta deve soar no ouvido das mães.

Quando falamos de um aumento unilateral, as principais causas podem ser: trauma, infecção viral ou até mesmo tumor dos testículos. Já quando falamos de ausência de um dos testículos, podemos estar nos referindo a uma criptorquidia, tema de nossa conversa de hoje.

Criptorquidia, por definição, é a situação na qual um ou ambos os testículos não completam a descida normal até o escroto. Traduzindo: durante a gestação, inicialmente os testículos estão localizados dentro da cavidade abdominal e, perto do 6º mês de gestação, eles migram para a bolsa escrotal após estímulo dos hormônios masculinos.

Ainda não sabemos a causa exata da criptorquidia, sendo várias hipóteses ainda discutidas. Sabemos que essa situação acontece mais em prematuros (30%) do que em nascidos no tempo correto (3%) e destes 70% têm descenso testicular espontâneo até completar 1 ano, os demais precisarão de algum tipo de tratamento. De qualquer forma, o mais importante é que, se identificamos um testículo fora do lugar, temos que investigar.

Causas

As causas da criptorquidia podem ser:

  • Hérnias no local por onde descem os testículos do abdômen para o escroto;
  • Problemas hormonais;
  • Baixo peso do bebê;
  • Nascimento prematuro;
  • Síndrome de Down;
  • Contato com substâncias tóxicas como pesticidas.

Alguns fatores de risco da mãe como obesidade, diabetes gestacional, diabetes tipo 1, tabagismo e álcool na gravidez podem levar ao aparecimento de criptorquidia no bebê.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito através da apalpação do escroto logo após o nascimento do bebê. Se o testículo não estiver no escroto, ele deverá descer durante o 1º ano de vida do bebê, mas se isso não acontecer pode ser necessário fazer cirurgia para colocar o testículo no lugar. A cirurgia é simples e rápida, devendo ser realizada antes dos 2 anos.

A criptorquidia pode ser classificada em:

  • Criptorquidia bilateral: quando estão ausentes os dois testículos no escroto, que se não for tratada pode tornar o homem estéril;
  • Criptorquidia unilateral: quando está ausente um testículo num dos lados do escroto, podendo provocar diminuição da fertilidade.

A criptorquidia não apresenta sintomas, porém podem surgir casos orquite, uma infecção do testículo. Algumas consequências da criptorquidia são a infertilidade, hérnias no testículo e o aparecimento de câncer no testículo.

Avaliação do Testículo “fora do saquinho”

Sabemos que a criptorquidia não é a única causa da ausência do testículo na bolsa escrotal. Na tabela abaixo estão descritas algumas possibilidades onde o testículo pode se localizar.

Vamos entender melhor essas condições:

tabela criptorquidia

A primeira etapa é fazer um exame físico minucioso e classificar o testículo criptorquídico em palpável (em algum local fora do saco escrotal) ou não. O próximo passo é tentar distinguir as diferentes situações descritas abaixo:

  • O testículo retrátil é a situação em que às vezes não encontramos o testículo no “saquinho”, no entanto, a maior parte do tempo ele se encontra no local correto, o testículo sai e volta para dentro do saco escrotal (deve ser informado ao pediatra).
  • O testículo criptorquídico retido pode ser palpável no trajeto normal (em 80-90% dos casos) e em algumas situações, mesmo o testículo criptorquídico estando no trajeto normal, pode não ser palpável, principalmente em casos de crianças obesas ou testículos muito atrofiados, sendo visualizado apenas com uso do ultrassom.
  • O testículo pode ser palpável, porém, em local anormal.
  • O testículo pode não ser palpável, pois está localizado dentro da barriga (30% dos casos de testículos não palpáveis), ou simplesmente porque ele não foi formado (anorquismo) (45% dos casos de testículos não palpáveis).

criptorquidia

criptorquidia

Riscos Relacionados a Criptorquidia

E por que toda essa discussão é importante? Temos que entender que os testículos se localizam na bolsa escrotal, fora da cavidade abdominal, porque eles precisam estar numa temperatura inferior à normal do organismo, isto é, um pouco mais frios. Isso é necessário para que haja uma adequada produção dos hormônios e dos espermatozóides. Dessa forma, é importante identificar precocemente esse problema, pois se esse testículo permanecer em um local muito aquecido, consequentemente pode haver infertilidade e produção inadequada de hormônios masculinos.

A temperatura do testículo é fundamental para seu funcionamento correto, por isso existem reflexos que aproximam e afastam os testículos do corpo, dependendo do calor ou frio do ambiente. Porém, se esses reflexos forem muito exacerbados, temos os testículos retráteis.

Tratamento

O tratamento no momento adequado é de fundamental importância para evitar sequelas definitivas no testículo. Com isso sempre que houver suspeita o pediatra deve ser informado e um especialista deve ser consultado.

A cirurgia para o posicionamento do testículo no saco escrotal deve ser realizada o mais breve possível. Idealmente a correção deve ser realizada no período de 6 meses a 1 ano de idade. O objetivo da cirurgia é prevenir alterações definitiva nos tecidos do testículo.

O tipo de cirurgia vai depender da localização exata do testículo. Quanto mais alto o testículo, maior a complexidade da cirurgia e maior risco de sequelas nos testículos. Devemos sempre ter em mente que após 1 ano de idade quanto mais tempo esperar, maior o risco de comprometimento definitivo do testículo.

É importante fazer o diagnóstico preciso nos casos de testículo retrátil, pois nestes casos não é necessário realizar cirurgia.

Em algumas raras situações, em que os 2 testículos não desceram, podemos fazer um tratamento hormonal prévio para tentar estimular a descida dos testículos antes da cirurgia, mas esse tipo de tratamento é necessária apenas em situações especiais.

A identificação da ausência de testículos seja permanente ou intermitente, tem que ser avaliada por um pediatra e/ou um urologista. O diagnóstico preciso e sua correção, quando necessária, são imprescindíveis para reduzir as chances de complicações futuras.

Fonte: http://chegueiaomundo.com.br/tag/criptorquidia/